A destruição deliberada de provas é uma constante em investigações de crimes cibernéticos e incidentes de fraude corporativa. Contudo, a mecânica de exclusão lógica empregada pela maioria dos sistemas de arquivos contemporâneos (como NTFS, ext4 ou APFS) não elimina o dado físico de forma imediata, criando a oportunidade técnica para a aplicação de metodologias de Data Carving.
O Data Carving é uma técnica forense de extração de dados que reconstrói arquivos contidos no espaço não alocado de uma mídia de armazenamento, independentemente da estrutura de diretórios ou dos metadados do sistema de arquivos corrompido ou ausente. O processo baseia-se estritamente na identificação de padrões de bytes específicos conhecidos como “file signatures” (cabeçalhos e rodapés, ou headers e footers).
Ao mapear essas assinaturas mágicas e analisar a continuidade dos clusters, os analistas forenses conseguem isolar o fluxo de dados bruto e remontar arquivos em sua integridade original. Trata-se de um procedimento rigoroso e puramente matemático, cuja execução exige ferramentas de integridade validada, garantindo que o processo de recuperação não altere a mídia original e que os resultados possuam robustez e admissibilidade jurídica incontestáveis em juízo.
