Análise pericial de arquivos LNK: rastreabilidade de ativos lógicos e validação de acesso a mídias removíveis

A elucidação de incidentes que envolvem o vazamento de dados corporativos ou a exfiltração ilícita de propriedade intelectual exige que o perito em computação forense explore artefatos persistentes no sistema operacional hospedeiro. Um dos cenários mais complexos na produção de prova digital envolve a comprovação de acessos a arquivos armazenados em mídias de armazenamento em massa removíveis (como pendrives e discos rígidos externos) que já foram desconectados fisicamente do endpoint analisado. Nesse escopo, a engenharia reversa e a análise forense de arquivos de atalho, conhecidos como arquivos LNK (.lnk), constituem um vetor de evidência robusto e de alta confiabilidade científica.

Estruturalmente, os arquivos LNK são gerados de forma automatizada pelo subsistema de interface do usuário da Microsoft (Windows Shell) sempre que um documento, diretório ou executável é aberto, seja localmente ou a partir de volumes de rede e periféricos. Armazenados em diretórios ocultos do perfil do usuário (como %APPDATA%\Microsoft\Windows\Recent), esses binários encapsulam uma volumetria detalhada de metadados referentes ao arquivo original. Sob o escrutínio forense, a decodificação da estrutura de dados do arquivo LNK permite recuperar informações cruciais que subsistem à ausência do hardware removível.

Dentre as estruturas recuperadas em uma análise pericial avançada, destacam-se a tabela de localização de links (LinkInfo), que armazena o caminho absoluto do arquivo original no dispositivo periférico, e o número de série do volume do sistema de arquivos de origem. Adicionalmente, o artefato preserva múltiplos blocos de timestamps independentes, registrando a data e hora cronométrica com precisão de microssegundos sobre quando o arquivo original foi criado, modificado e acessado pela última vez. A correlação desses indicadores lógicos com os logs de eventos de conexões USB (Setupapi.dev.log) confere ao laudo pericial o nexo causal indispensável para atestar a manipulação indevida de dados institucionais com irrefutável validade jurídica.