A elucidação de incidentes de segurança e a investigação de fraudes internas no ambiente corporativo demandam a análise de repositórios persistentes de dados que espelhem com fidelidade a atividade do usuário. No ecossistema de sistemas operacionais baseados na arquitetura Microsoft Windows, o Registro do Windows consolida-se como um dos alvos forenses mais ricos e indispensáveis, atuando como um repositório centralizado de configurações e telemetria de comportamento.
Do ponto de vista pericial, a manipulação superficial da interface do usuário — como a exclusão de arquivos lógicos e a limpeza de diretórios temporários — é ineficaz para suprimir os vestígios encapsulados nas colmeias (hives) do registro (SYSTEM, SOFTWARE, SAM, SECURITY e NTUSER.DAT). A análise forense dessas estruturas permite correlacionar ações e estabelecer o nexo causal de forma científica. Chaves específicas fornecem evidências irrefutáveis de autoria e materialidade:
A subchave USBSTOR permite catalogar de forma inequívoca o histórico de mídias de armazenamento removíveis conectadas ao barramento USB, provendo metadados como o Serial Number do fabricante, carimbos de tempo de montagem do volume e identificadores de classe de dispositivo. Para a determinação de execução de softwares, a análise da chave UserAssist (que emprega codificação ROT13 em seus valores) e dos artefatos RecentDocs fornece a frequência de uso de aplicações e os caminhos absolutos de arquivos manipulados, viabilizando a reconstituição da linha do tempo forense. O domínio analítico dessas estruturas estruturadas garante que o laudo pericial ofereça o rigor metodológico exigido para a admissibilidade de evidências digitais em esferas judiciais.
